palavras comuns

Aqui ficam todos os artigos do blog em um só lugar: palavras comuns, nomes próprios, expressões, comparações e variantes regionais. Use as categorias para filtrar ou explore os mais recentes abaixo. Cada texto é um passo a mais dentro do português que você fala todo dia.

Origem da palavra amigo — etimologia do latim amicus e a raiz amare

Origem da Palavra Amigo: Quando Amigo Era o Namorado

Ana Beatriz Lemos

Dom Dinis chamava o namorado de “amigo”. O latim não separava amor de amizade, amare cobria os dois. Séculos depois, a palavra cresceu e esqueceu o amor que a originou. Ou quase.

Origem da palavra compaixão — etimologia do latim compassio e cum patior

Origem da Palavra Compaixão: a Palavra que Sofre Junto e Sente Amor

Ana Beatriz Lemos

A neurociência deu um presente para a língua portuguesa. Quando sentimos compaixão, o circuito ativado não é o da dor, é o do amor. O étimo dizia sofrer junto; o cérebro prefere amar junto.

Origem da palavra desejo — etimologia do latim desiderare e as estrelas

Origem da Palavra Desejo: a Palavra que Nasceu das Estrelas

Ana Beatriz Lemos

O latim não separava desejo de saudade. Desiderium vinha de sidus, “estrela”, e significava a falta que ela deixa quando desaparece do céu noturno. Do latim ao português, o desejo veio das estrelas.

Origem da palavra prazer — etimologia do latim placere

Origem da Palavra Prazer: Quando Agradar os Outros Virou Sensação Própria

Ana Beatriz Lemos

Os romanos não sentiam prazer, davam aprovação. Placere descrevia o que os outros pensam de você, não o que você sente. Dois mil anos depois, a palavra virou a experiência mais íntima do português.

Origem da palavra morte: columbário romano com urnas de terracota em nichos de pedra e lamparina memorial, passando por cemitério de mosteiro medieval com cruz de pedra e folhas outonais douradas, até cena brasileira de Dia de Finados com cravos-de-defunto, vela acesa e retrato de família

Da Mors Romana ao Dia de Finados: A Palavra que a Língua Não Conseguiu Suavizar

Ana Beatriz Lemos

Mortadela vem de mors, morte. A linguiça italiana recebeu esse nome porque era feita com o animal recém-abatido. A mesma raiz de mortal e imortal frequenta o cardápio todo dia, sem que percebamos.

Origem da palavra alegria: mesa de banquete romano com taça de terracota transbordando uvas e figos entre guirlandas de flores, passando por feira medieval com alaúde e pandeiro sobre barril entre estandartes, até festa junina brasileira com bandeirinhas, canjica e luzes douradas

Do Alacer Latino à Festa Brasileira: A Alegria que Contagia a Língua

Ana Beatriz Lemos

Alacritas, em latim, era vivacidade, a energia de quem está pronto para se mover. Alegria não era só ausência de tristeza: era presença de movimento. A língua sabia que a felicidade tem os pés inquietos.

Origem da palavra medo: entrada de cripta romana com arco de pedra escuro e lamparina no limiar, passando por corredor de castelo medieval com tocha e armadura nas sombras, até quarto de criança brasileira com abajur noturno e porta do armário entreaberta

Do Metus Romano ao Medo do Escuro: O Temor que Nunca Perdeu Sua Força

Ana Beatriz Lemos

Meticuloso vem de metus, medo. Quem é meticuloso é, literalmente, “cheio de medo de errar”. O cuidado extremo e o temor têm a mesma raiz no latim. A perfeição sempre carregou um pouco de ansiedade.

Origem da palavra esperança: jarro de terracota grego-romano (pithos de Pandora) entreaberto com brilho dourado em jardim de oliveiras, passando por caminho de peregrino medieval com alforje e cajado junto a marco de pedra, até jardim em terraço de favela brasileira com muda crescendo em lata reciclada ao entardecer

Da Spes Romana à Resistência Brasileira: A Esperança que Atravessa os Séculos

Ana Beatriz Lemos

Em inglês, to wait e to hope são verbos distintos. Em português, esperar faz os dois, e não é coincidência. Sperare, em latim, já misturava a espera com a crença de que algo bom viria.

Origem da palavra paz: templo romano de Pax com ramo de oliveira sobre altar de mármore e pomba, passando por claustro de mosteiro medieval com fonte e jardim de lavanda, até praia brasileira tranquila ao nascer do sol com barco de pesca e rede

Da Pax Romana à Serenidade Brasileira: A Palavra que Sela Acordos e Acalma Corações

Ana Beatriz Lemos

Pax deu pacto, pacificar, e também deu “pagar”. Em latim, saldar uma dívida era literalmente fazer as pazes. A palavra que encerra guerras também resolvia contratos. Paz sempre foi uma negociação.

Origem da palavra força: equipamento de legionário romano com escudo de bronze e gládio junto a muro de pedra, passando por fortificação medieval com muralha, ponte levadiça e correntes de ferro ao pôr do sol, até canteiro de obras brasileiro com vigas de aço e capacete sob luz dourada do entardecer

Da Fortis Romana à Construção do Brasil: A Raiz que Gerou Fortaleza, Conforto e Esforço

Ana Beatriz Lemos

Con + fortis, “com força, juntos”. Essa é a raiz de confortar em latim. Antes de ser um gesto de afeto, confortar era um ato de somar forças. A etimologia lembra que ninguém se fortalece sozinho.